terça-feira, 19 de setembro de 2017

Viajando com cachorros

Quando estávamos planejando nossa mudança de Curitiba para Miami, era certo que se a família toda iria, as cachorras estavam junto nessa. Se eu vou, elas vão junto! Mas o que eu não fazia idéia era a trabalheira que daria. Achei que simplesmente levaria as duas dentro de uma daquelas bolsas de levar o cachorro e embarcariam comigo, ou na pior das hipóteses, despacharia com as malas dentro de uma caixa de transporte de animais.

Bem, não é bem assim... Primeiro que para ir na cabine junto com você, o bichinho deve pesar no máximo 8 kilos (isso varia para cada companhia aérea), com a sacola e tudo, e deve caber de pé, dentro da sacola, debaixo da poltrona a sua frente. Já não seria o caso das minhas duas lhasa-apsos que pesam 8 e 9 kilos sem sacola e são maiores do que o permitido.
Então pensei que iriam no porão. Mas também não. Existe uma lista de raças "braquicefálicos", traduzindo, os de focinho curto, que as companhias aéreas não aceitam porque que eles podem sofrer questões respiratórias e correr risco de morte.
E então, para estas raças é preciso procurar por uma empresa especializada em transporte de animais. E estas então mandam os bichinhos por onde? Pelas mesmas companhias aéreas que você não consegue levar! Mas a diferença é que você paga uma bolada! Sai bem caro mesmo.

Mais um detalhe: se for verão ou calor em qualquer um dos locais, de origem, destino ou passagem, os bichinhos precisam viajar apenas durante a noite! Pois com o calor o risco de problemas respiratórios torna-se maior. Ou seja, as minhas cachorras saíram-se de Curitiba para São Paulo, passaram o dia lá, e saíram num vôo noturno SP - Houston, depois Houston - Miami. Todos vôos noturnos, demorando dois dias pra chegar onde eu aguardava já aflita!! Mas chegaram bem!

Antes de todo o despacho é preciso checar toda a documentação necessária que depende do lugar pra onde se vai. Cada país tem sua regra, suas exigências com vacinação, etc. Algumas vacinas devem ser aplicadas dias ou até meses antes do embarque. A microchipagem também já é exigida por todos os países. Enfim, vc terá bastante trabalho caso queira viajar com o seu cachorro, gato, piriquito ou papagaio.

Vindo pra Italia, eu sabia que a coisa seria um pouco mais complicada. Toda a Europa tem mais exigências do que o resto do mundo para a entrada com animais. Pois bem, como iriam novamente com o despachante, eu já estava mais tranquila, porque seria ele quem cuidaria de toda a papelada; e a vacinação já estava de acordo com as regras e o prazo exigidos aqui.

Aconteceu que, no mesmo dia (poucos dias antes da minha data de embarque com a mudança) que eu paguei a metade do valor acertado ao despachante, entreguei todos os documentos, etc., eu soube que uma nova modalidade estava sendo utilizada para embarque dos bichos dentro da cabine! Apresentando um atestado de psicólogo ou psiquiatra declarando que você sofre de depressão ou síndrome do Pânico (meu caso) e que você fica mais tranquila na companhia do seu animal de estimação, este embarca com você, dentro da cabine, sem exigências de peso ou tamanho, como Animal de Suporte Emocional! (ESA - Emotional Support Animal). Isso vale para Estados Unidos como origem ou destino do vôo.

Bingo! Corri atrás da papelada, e liguei pro despachante cancelando tudo. O que eu não esperava era que ele tinha viajado com os documentos delas em mãos (não me pergunte porque!). Estava em Michigan, eu em Miami, e o furacão Irma chegando! Ele postou no FedEx como urgente, mas não teve urgência que não parou com o furacão.

O furacão veio, e a agonia era múltipla. Com o perigo do furacão, com a correria da mudança, com a documentação das cachorras. Ou seja.... atrasou. O prazo apertou e eu ainda tinha providências a tomar para que elas pudessem viajar comigo.

Eu precisava de um atestado de saúde de validade de 48 horas para viajar. Isso se faz num veterinário credenciado que examina do animal e dá um catatau de papel, e com estes em mãos você vai para o USDA, setor público de agropecuária pegar um carimbo. Pois bem, além do prazo apertado de 48h de validade do documento, ou seja vc só pode tirar este certificado dois dias antes de viajar, ainda teve o atraso do FedEx. E como se não bastasse, o USDA estava fechado por causa dos danos do furacão.

Liguei na Central da USDA, e me disseram que eu teria que ir até Gainesville buscar o tal carimbo! Mais de 400km um dia antes do meu embarque?? Rezei. Pensei não sou só eu precisando disso! Esse escritório vai ter que abrir. 7:30 da manhã do dia do meu embarque. eu já  estava a postos para qualquer providência. Ou fazer plantão no escritório ou voar para a tal Gainesville. Comecei a ligar e nada... resolvi ir lá. Estava fechado, mas um segurança me informou que abriria às 11!! Uma esperança!! Fui pra casa, terminei de fechar as malas; deixei tudo pronto pra ir pro aeroporto. Voltei às 10:30am, já tinha fila!! Um monte de gente apavorada também mas que viajariam no fim de semana ou na segunda. Me deixaram passar na frente e lá fui eu!! Em minutos estava com o tal carimbo estampado nos documentos! Ufa! Gol nos últimos minutos do segundo tempo.

A preocupação não passava até chegar na Itália, mostrar todos os papéis e dar tudo certo. Várias histórias que eu tinha escutado sobre complicações de ter que deixar cachorro em quarentena, ou de ter que voltar com o bicho, etc ecoavam na minha cabeça. Pois bem, chegamos,entramos e não precisamos mostrar nada. 😒👌🏻 Isso mesmo. A correria e o stress foi pra nada. Menos mal.

P.S. Obrigada Renata por toda ajuda mesmo de longe!
P.S. 2: Thanks for all of you girls from Sunset Animal Clinic!
P.S. 3: Valeu Sinval pela dica!




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