domingo, 17 de junho de 2007

Colocando um pouco pra fora...

Talvez no caminho de ser mãe eu tenha me perdido. Ou nem mesmo tenha sido este o caminho certo, o de ser mãe... Talvez tenha sido o mais fácil de agarrar, na falta de encontrar outro, ou por não saber conciliar outra vontade. Esperando a gestação acontecer, deixei o tempo passar sem pensar no que mais eu estava fazendo.
Tenho 30 anos e poucos dias. Alguns dias me vejo como um nada, e às vezes sendo tudo. Só não sei se tudo o que eu gostaria, nem se gosto deste tudo que acabei sendo. Formei-me em Publicidade. Meu primeiro emprego foi um que uma amiga achava que eu precisava e eu fui. Logo ganhei uma promoção que acharam que eu gostaria, mesmo ainda 6 meses na empresa, porque acharam que eu daria conta. Dei conta sim, mas a empresa fechou. Mandaram-me para outro departamento do grupo onde mais uma vez acharam que eu me encaixaria. Logo me adaptei. Mas o problema é que não se adaptaram comigo e me mandaram embora. E então talvez eu tenha feito a minha primeira opção profissional. Parar de procurar outro emprego, e ficar em casa. Algumas pessoas podem achar que fiz a escolha mais fácil. Nem sempre. Mas isso é outro assunto que posso falar mais tarde que rende bastante. Enfim, foi minha primeira escolha.
Como em tudo que me proponho a fazer, ou à que sou proposta, me dedico 100%. Casei com uns 24. Já com um pacote completo, marido e filhos. Um casal. Hoje ela com 10 e ele com 11. No começo eles só vinham nos finais de semana, e a cada 15 dias. Meu marido não almoçava em casa, e então eu preparava tudo para quando ele viesse no final do dia. Sempre tinha um bolo, uma sobremesa, comidinha gostosa, e a casa cheirando limpeza. Um brinco. Eu não me dava o direito de parar nem passear. Era o dia inteiro limpando. Trocava os móveis de lugar, sempre procurando o jeito em que a casa ficaria mais aconchegante para quando todos estivessem ali.
Alguns meses em casa e senti falta de ver gente lá fora. Fui fazer um curso de tecelagem. Enquanto fazia o curso e por um tempo depois, me dediquei bastante à este trabalho. Fiz xales e cachecóis lindos para vender. Pegava encomendas e já passei noites inteiras tecendo. Isso sem parar com o trabalho da casa, claro. Quando conseguia produzir em quantidade levava ao shopping e algumas lojas para vender. E sempre vendia pros amigos e família. Desanimei com os lucros. Precisava de dois dias inteiros de trabalho para pagar um da diarista.
Mudamos-nos. Com meu marido viajando empacotei tudo sozinha. Viemos morar no mesmo apartamento onde ele morava com a ex-mulher, e vizinho de seus dois irmãos. Foi aqui que percebi que já há algum tempo eu estava com a Síndrome do Pânico, só não sabia o que era. Passava mal, sentia vergonha, ficava quieta, até que não deu mais pra esconder e explodi. Enfim, passei sete meses em casa, saindo só pra terapia. Isso também é uma longa história que rende um livro exclusivo.
Graças a mim mesma e à ajuda de muitas pessoas, melhorei. Sempre serei muito grata em especial aos meus pais e ao meu marido. Reconheço que a ajuda de meus pais foi por todo o amor que eles sentem por mim. E o meu marido, pela pessoa maravilhosa que ele é. Sempre reconheci e já disse isso a ele algumas dúzias de vezes; não seria qualquer homem capaz de agüentar tudo o que ele passou comigo neste período em especial. E nas TPM’s, claro!!
Ele foi extraordinário mostrando paciência e amor a cada dia. Sempre reconheci isso. E reconheço até hoje por cada gesto que ele nem imagina que percebo. Não posso dizer que não tenho nada, absolutamente nada para reclamar sobre ele. Graças a Deus, nenhum de nós é perfeito, ou isso seria chato demais. Mas salvo à sua teimosia algumas vezes, aos modos masculinos da grande maioria dos maridos, que não valem a pena ser descritas aqui, ele é um grande homem. O amor da minha vida. Um marido perfeito.
Tenho feito de tudo para retribuir tudo o que tenho com ele. Tento retribuir o carinho, a atenção, a liberdade (que por incrível que pareça muitas mulheres ainda não tem em pleno ano 2007, como sair com as amigas). Reconheço também todas as regalias e luxos que ele me proporciona de bom grado, como um bom carro na garagem, tanque cheio, dinheiro na bolsa, uma super academia, curso de inglês, etc. Tudo o que eu não poderia ter vendendo Natura, nem pintando.
Sinto uma paixão ainda maior por ele quando conversa comigo sobre nós dois, quando me chama pra sair brincando que sou sua amante, quando brinca comigo, me elogia, me ajuda, me ama. Quando me ajuda como lidar com as crianças, e até quando fala de negócios e bolsa de valores comigo!
(pAUSA) Se tivesse um cigarrinho agora eu fumava!...
É por tudo isso que me sinto confusa hoje. É porque tentando retribuir cada coisinha como estas que eu citei, tentando arrumar o mundo pro meu amor quando ele está em casa, cuidando de tudo pra nós, pra casa, pras crianças, parece que não sou suficiente. Às vezes tenho a impressão de qualquer outra pessoa poderia estar fazendo tudo o que tenho feito por aqui, e ainda penso o que o que eu estou fazendo está errado. Ou que ainda é pouco. Sempre pouco. E isso não tem fim, são coisas e trabalhos que não acabam.
A casa, por mais que tenha uma funcionária para ajudar com a limpeza, eu sempre estou de olho para cuidar se onde o meu amorzinho vai sentar está em ordem, se tudo onde ele toca está limpo, se nada vai aborrecê-lo ou às crianças. Pois com relação a elas, sempre fiz questão de arrumar o quarto da melhor forma, preparar os mais deliciosos lanches, etc. para que eles gostem de vir pra cá, e ainda de gorjeta deixar o meu amor mais feliz com eles aqui.
Procuro cuidar também da alimentação de todos da família, na tentativa de ser uma “mãe” de família responsável. Tento cuidar também, tento!, das notas escolares, às tarefas de casa, pelo menos enquanto eles estão aqui; já que agora eles passam 15 dias com a gente e 15 com a mãe. Sou chata tentando também cuidar da educação das crianças, desde como se comportar à mesa até a higiene pessoal.
No meio disso, tento fazer algumas pinturas, por prazer e por uns trocados. Essa é uma das desvantagens que citei no começo sobre a escolha de ficar em casa... não ter seu próprio dinheiro.
Tudo com a intenção positiva de manter a harmonia geral da família e do lar. Enfim, trabalho no backstage. Sou aquela que dobra a toalha como se estivesse sido recém pendurada; que abaixa a tampa do vaso e fecha a porta para que na próxima vez se pense que ninguém usou antes; que se preocupa com o cardápio do almoço seguindo a pirâmide dos alimentos; que prepara lanche para as crianças na volta das atividades da tarde; a que ao arrumar o closet reserva pra ele as prateleiras de calçado bem do meio, que não precisa nem se abaixar nem subir no banquinho para pegar os calçados; a que verifica se as bebidas favoritas estão geladas, e se não vai faltar; a que corre preparar a cama ao menor sinal de sono dele; a que troca as escovas de dentes da casa ao sinal de desgaste; a que pulveriza a casa com lavanda para que todos sintam-se tranqüilos quando chegarem em casa,...
Como saber se tudo isso não é inútil? E como saber se não estou fazendo mais do que o necessário? Ou ainda, como saber se estou fazendo da forma certa? Será que existe forma certa? Como alguém poderia dizer se estou certa ou errada?
Minha mãe bem que tentou enquanto eu morava com ela, mas não aprendi a cozinhar enquanto solteira. Casei e comprei um livro básico de receitas que ensinava fazer desde arroz e feijão. Me virei. Acho que aprendi, ao menos nunca passei fome.
É meu primeiro, e espero que último, casamento. Mesmo sendo filha única, procuro sempre dividir. Procuro respeitar a privacidade e sempre manter o respeito. Acho que não existem aulas nem regras para a boa convivência que sejam muito diferentes disso. Estou sempre tentando aprender mais.
Até hoje não tive filhos, mas procuro descobrir a cada dia sobre como reagiria uma mãe frente às situações em que me encontro. Eu tento, não é fácil pra mim. Acredito que não posso ser julgada por nada, pois até mães de verdade erram. Tento de verdade ser uma BOAdrasta. Eu me esforço, juro que tento fazer o melhor!
Sou bagunceira, e, no entanto procuro manter a melhor ordem que posso na casa para criar um ambiente gostoso de ficar.
O que mais eu posso fazer? Estes são apenas alguns dos meus papéis. Garanto que em cada um deles faço o melhor que posso. E nem sempre me sinto satisfeita com as minhas reações ou resultados... Mas é o melhor que posso. Sou eu mesma em cada detalhe. O que aparece é a chata; aquela que cobra cooperação, a que insiste para que comam a salada, a que cuida, manda escovar os dentes, vestir uma roupa mais quente, avisa a hora de ser duro com as crianças. Todo o resto talvez só apareceria se eu deixasse de fazer.
Confesso que por muitas vezes cheguei a pensar que é loucura o que estou fazendo aqui. Pra que tudo isso? E se eu cuidasse só de mim? Fosse tentar fazer a minha vida profissional de novo, agora mais decidida e fazendo minhas próprias escolhas?
E aí, algum detalhe desta vida de backstage me desvia a atenção, e eu estou aqui feliz de novo fazendo tudo, achando que é pra todos, mas é mais pra mim. Eu sou feliz assim, cuidando de quem eu amo. Se nem tudo sai perfeito, sinto muito. É o jeito que eu sei fazer...

Não me pergunte qual foi o objetivo desse monte de palavras... só quis colocar um pouco pra fora! Me faz bem!

2 comentários:

Anônimo disse...

Digamos que vc não está com a famosa crise dos 30, pois isso não chega a ser uma crise, mas sim uma reflexão dos 30!!! De uma maneira ou de outra esta idade afeta nós mulheres!!! É como se fosse o meio da vida, onde paramos e pensamos em tudo que fizemos até hoje.... Posso dizer que vc se vira nos 30, né amiga!!! Se vira como muitas mulheres não se viram aos 20,30,40 ou 50!!! Análise, reflexão, botar prá fora.... Tudo isso é muito bom... Ainda mais qdo se chega ao final de tudo que se escreveu, como você... Feliz!!! Isso é o que mais importa, indagações todos tem, mas poucos tem uma energia e felicidade estampada no rosto como vc amiga!!! Desejo que nesta nova fase, vc seja ainda mais feliz do seu jeito, o jeito da Lêka que todos admiram, e acredite, do jeito que muitos desejam ser!!!
Te gosto muito amiga!! Vivi

Lêka disse...

Obrigada amiga!!!
Como já disse o rei...
"se chorei ou se sorri... o importante é que emoções eu vivi!!"